Pernambuco registra mais de 12 mil internações por traumatismo craniano entre 2020 e 2022, aponta estudo

Um estudo epidemiológico publicado na Revista Sociedade Científica revelou que Pernambuco registrou 12.412 internações por traumatismo cranioencefálico (TCE) entre os anos de 2020 e 2022. A pesquisa, conduzida por José Edvânio Silva França do Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU), analisou dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) e apontou que a maioria das vítimas são homens jovens, com idade entre 20 e 29 anos.
O traumatismo cranioencefálico é considerado uma das principais causas de morte e incapacidade em adultos jovens no Brasil, representando um grave problema de saúde pública devido aos altos custos hospitalares, longos períodos de internação e significativas taxas de mortalidade.
Perfil epidemiológico das vítimasDe acordo com a pesquisa, 77,9% das internações por TCE no período ocorreram em pacientes do sexo masculino, totalizando 9.669 casos. As faixas etárias mais afetadas foram:
- 20 a 29 anos: 2.030 casos (16,35% do total)
- 30 a 39 anos: 1.783 casos (14,36%)
- 40 a 49 anos: 1.692 casos (13,63%)
Os idosos acima de 80 anos apresentaram as maiores taxas de mortalidade (24,57%), mas em números absolutos, os jovens adultos representam o grupo mais vulnerável e com maior impacto nos custos do sistema de saúde.
“O estudo confirma que as vítimas jovens de TCE são as que mais causam internações e custos médicos, o que nos permite destacar esse segmento da população como grupo de risco”, explica o autor José Edvânio Silva França.
Impacto econômico e tempo de internaçãoA pesquisa calculou que o SUS gastou R$ 18.886.634,13 com o tratamento desses pacientes em Pernambuco durante o período estudado. Desse total, 81,59% (R$ 15.410.629,98) foram destinados ao tratamento de pacientes do sexo masculino.
As faixas etárias que demandaram maiores recursos foram:
- 20 a 29 anos: R$ 3.475.772,68 (18,40% do total)
- 30 a 39 anos: R$ 3.030.487,78 (16,04%)
- 40 a 49 anos: R$ 2.563.363,18 (13,57%)
O tempo médio de internação foi de 5,9 dias, sendo ligeiramente maior para os homens (6,1 dias) do que para as mulheres (5,3 dias). Os pacientes entre 30-39 anos tiveram a maior média de permanência hospitalar: 12,59 dias.
Classificação e gravidade dos casosO traumatismo cranioencefálico é classificado de acordo com a Escala de Coma de Glasgow (ECG) em:
- Leve: ECG entre 13-15 pontos
- Moderado: ECG entre 9-12 pontos
- Grave: ECG entre 3-8 pontos
As causas mais comuns de TCE incluem acidentes de trânsito, quedas de altura, colisões esportivas violentas, agressões e envenenamentos. Os sintomas podem variar desde uma breve confusão mental e dor de cabeça até perda de consciência prolongada, déficits cognitivos, distúrbios de comportamento e incapacidades físicas permanentes.
Importância para políticas públicasO estudo destaca a necessidade de ações preventivas mais rigorosas direcionadas especificamente à população jovem masculina, que representa a maioria dos casos. “Para pacientes vítimas de TCE, o prognóstico está relacionado a fatores como idade, gravidade da lesão, tipo de lesão e outros fatores relevantes. Portanto, a análise do perfil epidemiológico do TCE é base para melhor intervenção, continuidade do tratamento, prevenção de complicações, atuação e resolução mais adequadas e melhor prognóstico”, afirma França.
A pesquisa alerta que além dos custos hospitalares diretos, o TCE gera custos indiretos significativos com reabilitação, terapias prolongadas e perda de produtividade, especialmente quando as vítimas são jovens em idade economicamente ativa.
Metodologia da pesquisaO estudo utilizou uma abordagem ecológica com análise descritiva, baseada em dados secundários registrados no DATASUS referentes aos casos confirmados de traumatismo cranioencefálico em Pernambuco entre 2020 e 2022. Os dados foram analisados quantitativamente mediante planilhas do Excel, organizando informações sobre tipo de acidente, sexo, faixa etária, tempo de internação, custos hospitalares e taxas de mortalidade.
Conclusões e recomendaçõesA análise epidemiológica conclui que:
- Homens jovens representam a maioria das vítimas de TCE em Pernambuco
- A faixa etária de 20-29 anos é a mais afetada em números absolutos
- Idosos acima de 80 anos apresentam as maiores taxas de mortalidade
- O custo hospitalar com TCE representa carga significativa para o SUS
- São necessárias políticas preventivas específicas para grupos de risco
O autor recomenda que “as autoridades competentes, governamentais e de Saúde Pública deveriam desenvolver ações mais rigorosas para diminuir ou evitar essas causas de traumas para diminuir com os gastos do sistema público e diminuir os risco de mortes”.
Sobre o autor e a instituiçãoJosé Edvânio Silva França é pesquisador do Centro Universitário Maurício de Nassau (UNINASSAU), instituição com sede em Recife, Pernambuco, que oferece cursos de graduação e pós-graduação em diversas áreas do conhecimento, incluindo saúde e medicina.
Publicação na Revista Sociedade CientíficaEsta pesquisa foi publicada na Revista Sociedade Científica, volume 6, número 1, do ano 2023. A revista é uma publicação acadêmica de acesso aberto que promove a disseminação de conhecimento científico em diversas áreas.
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Para acessar o estudo completo:
Traumatismo Cranioencefálico em Pernambuco: Uma Análise Epidemiológica do Ano de 2020 até 2022
Site oficial da Revista Sociedade Científica: https://www.scientificsociety.net/
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