Saúde auditiva em catadores de usinas de reciclagem: estudo quantitativo transversal sobre alterações audiométricas e queixas relacionadas ao ruído

Autores

  • Juliana Maria Soares Cavalcante Universidade de Brasília Autor
  • João Pedro Brandão Fernandes Autor
  • Ruan Gomes Caetano Autor
  • Giovanna de Saboia Bastos UNIPLAN- Centro Universitario Planalto do Distrito Federal Autor
  • Isabella Monteiro de Castro Silva Universidade de Brasília- Professora Autor

DOI:

https://doi.org/10.61411/rsc2025109218

Palavras-chave:

Ruído, Usinas de reciclagem, Audição; Ruído; Saúde Coletiva; Saúde Auditiva; Perda Auditiva Ocupacional, Saúde auditiva

Resumo

As usinas de reciclagem de materiais sólidos utilizam diversos maquinários que produzem ruídos. Os catadores que trabalham nessas empresas, muitas vezes, não utilizam equipamento de proteção individual (EPI) adequadamente enquanto manuseiam e vivenciam tal ambiente. A exposição a ruídos intensos pode prejudicar a saúde auditiva dos funcionários. Este estudo teve como objetivo analisar as alterações audiométricas e as queixas auditivas mais prevalentes entre catadores de materiais recicláveis expostos ao ruído em uma usina de reciclagem no Distrito Federal. A amostra foi composta por 73 trabalhadores, de ambos os sexos, com idades entre 18 e 60 anos. Os participantes responderam a um questionário sobre sintomas auditivos e passaram por exames audiológicos na clínica-escola de Fonoaudiologia do UNIPLAN. Dos 73 participantes, as queixas auditivas mais relatadas foram incômodo com o ruído (36,9%), prurido auricular (20,5%), dificuldade para escutar (17,8%) e zumbido (16,4%). Também foram mencionadas otalgia, plenitude aural e tontura, indicando que os efeitos da exposição ao ruído ocupacional vão além da perda auditiva mensurável, afetando a qualidade de vida dos trabalhadores. A análise dos limiares auditivos mostrou elevação significativa nas frequências de 6 kHz e 8 kHz, especialmente em trabalhadores com mais de 40 anos. As mulheres apresentaram limiares auditivos mais elevados do que os homens em diversas frequências, com diferença estatística significativa em 6 kHz. A função exercida e o tempo de serviço também influenciaram diretamente os limiares auditivos: trabalhadores da empilhadeira, triagem e coleta foram os mais afetados, e aqueles com mais de 15 anos de exposição apresentaram as maiores alterações auditivas. A pesquisa destaca a importância de fortalecer políticas públicas de vigilância em saúde do trabalhador, promovendo o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), triagens periódicas, educação em saúde e fiscalização. A atuação do fonoaudiólogo é essencial na implantação de Programas de Conservação Auditiva (PCA) que garantam ambientes mais seguros. A prevenção da perda auditiva induzida por ruído (PAIR) deve ser prioridade para preservar a saúde auditiva e o bem-estar geral dos trabalhadores expostos a ambientes ruidosos

Biografia do Autor

  • Juliana Maria Soares Cavalcante, Universidade de Brasília

    é doutora e mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de São Paulo (USP). Desenvolve pesquisas na área de audiologia e saúde coletiva, com vínculo institucional à USP e ao National Institutes of Health (NIH), em parceria com a Universidade de Vanderbilt (EUA). Atualmente, é professora temporária na Universidade de Brasília (UnB), atuando na formação acadêmica e em projetos de pesquisa voltados à saúde auditiva no contexto ocupacional.

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Publicado

2025-08-27

Edição

Seção

Ciências da Saúde

Categorias

Como Citar

CAVALCANTE, Juliana Maria Soares; FERNANDES, João Pedro Brandão; CAETANO, Ruan Gomes; BASTOS, Giovanna de Saboia; SILVA, Isabella Monteiro de Castro. Saúde auditiva em catadores de usinas de reciclagem: estudo quantitativo transversal sobre alterações audiométricas e queixas relacionadas ao ruído. Revista Sociedade Científica, [S. l.], v. 8, n. 1, p. 1574–1599, 2025. DOI: 10.61411/rsc2025109218. Disponível em: https://journal.scientificsociety.net/index.php/sobre/article/view/1092.. Acesso em: 15 jun. 2026.

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