Uso de canabinóides no tratamento da dor crônica e na dependência química: uma revisão integrativa da literatura
DOI:
https://doi.org/10.61411/rsc2026119719Palavras-chave:
dor crônica; THC; CBD; dependência química.Resumo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a dor como “uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou semelhante àquela associada a uma lesão tecidual real ou potencial”, enquanto a International Association for the Study of Pain conceitua a dor crônica como um fenômeno contínuo ou recorrente, com duração mínima de três meses, que não responde aos tratamentos convencionais e ocasiona incapacidades prolongadas. O manejo farmacológico é individualizado conforme a intensidade da dor, a duração dos sintomas e o impacto funcional, sendo comumente utilizados analgésicos simples, anti-inflamatórios não esteroidais, antidepressivos, anticonvulsivantes e opioides. Diante da necessidade de alternativas terapêuticas, os canabinoides ganham relevância, sendo compostos ativos encontrados na Cannabis sativa, com destaque para o Δ9-THC e o canabidiol (CBD). Paralelamente, destaca-se a segurança e eficácia do CBD no contexto da dependência química, considerada pela OMS um dos maiores problemas de saúde pública, dada sua ampla repercussão e impacto social, o que reforça a necessidade de estratégias terapêuticas de longo prazo. Dados do Relatório Mundial sobre Drogas de 2024 estimam que cerca de 64 milhões de pessoas são acometidas por transtornos relacionados ao uso de drogas, das quais apenas uma em cada onze recebe tratamento. O presente estudo tem por objetivo avaliar a eficácia e a segurança dos canabinóides no tratamento da dor crônica e da dependência química, por meio de revisão integrativa da literatura. A partir da aplicação dos critérios de exclusão, 152 artigos foram considerados elegíveis, com maior concentração de publicações nos anos de 2020 e 2022, especialmente nos Estados Unidos e Reino Unido. Em alguns dos achados de literatura observa-se que os canabinóides produzem eventos adversos significativos que podem afetar a qualidade do tratamento, impossibilitando o alcance da resposta esperada. Dessa forma, conclui-se que o CDB é um medicamento relativamente novo, com trabalhos limitados quanto à eficácia e segurança, sem um acervo de estudos populacionais e, por conseguinte, sem evidência suficientemente forte para se tornar uma recomendação adequada, fato que se deve principalmente aos regulamentos que envolvem sua utilização e interferem no desenvolvimento dos estudos.
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