Impacto da enfermaria de cuidados paliativos na taxa de mortalidade padronizada da UTI do Hospital de Câncer de Mato Grosso
DOI:
https://doi.org/10.61411/rsc2026128219Palavras-chave:
Cuidados Paliativos; Desempenho Hospitalar; Pacientes Oncológicos; Taxa de Mortalidade Padronizada; Unidade de Terapia IntensivaResumo
A Razão de Mortalidade Padronizada (Standardized Mortality Ratio - SMR) é um indicador utilizado para avaliação de desempenho em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), pois considera a mortalidade observada ajustada pela gravidade dos pacientes. Em hospitais oncológicos, a organização do cuidado e o fluxo assistencial podem influenciar significativamente os desfechos, sobretudo em contextos de pacientes com doenças avançadas. Entretanto, a implantação de enfermarias de cuidados paliativos pode modificar o manejo clínico e o destino dos pacientes após a estabilização em UTI, com possível impacto na mortalidade ajustada por risco. Este estudo teve como objetivo avaliar o impacto da implementação de uma enfermaria de cuidados paliativos na gravidade à admissão, no risco estimado de óbito e na SMR de pacientes internados em uma UTI oncológica. Trata-se de um estudo de coorte retrospectiva, incluindo pacientes adultos internados na UTI do Hospital de Câncer de Mato Grosso entre março de 2021 e novembro de 2025. Os pacientes foram separados em dois grupos, de pacientes assistidos no período pré-implementação da enfermaria de cuidados paliativos (2021-2023) e pacientes assistidos no período pós-implementação (2024-2025). A gravidade foi avaliada pelo escore SAPS 3, calculado a partir de variáveis clínicas, fisiológicas e laboratoriais coletadas na admissão. A mortalidade esperada foi estimada pela equação global do SAPS 3, e a SMR foi calculada pela razão entre óbitos observados e esperados, com intervalos de confiança de 95%, adotando-se nível de significância de 5% (p < 0,05). Foram analisadas 1.982 internações em UTI no período pré e 931 no período pós-implementação. O perfil clínico e fisiológico à admissão permaneceu semelhante entre os períodos. Observou-se redução significativa da mediana do escore SAPS 3 no período pós-implementação (52 vs. 50; p = 0,001). O risco calculado de óbito pela equação global do SAPS 3 também foi menor após a implementação da enfermaria de cuidados paliativos (20,5% vs. 17,4%; p = 0,001). A relação entre SAPS 3 e risco estimado de óbito manteve-se estável nos dois períodos (R² pré = 0,9577; R² pós = 0,9602). A SMR reduziu de 1,06 (IC95%: 0,98-1,15) no período pré para 0,77 (IC95%: 0,67-0,88) no período pós-implementação. Após a implementação da enfermaria de cuidados paliativos, observou-se redução significativa do escore SAPS 3, do risco estimado de óbito e da Razão de Mortalidade Padronizada da UTI, sem alteração relevante no perfil clínico dos pacientes à admissão.
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