Repercussões bioéticas na gestação pós-morte: análise de um caso real
DOI:
https://doi.org/10.61411/rsc202590818Palavras-chave:
Bioética, GravidezResumo
A discussão sobre morte encefálica envolve a interseção de considerações médicas, legais e sociais e quando se trata de gestante, o desafio ético é ainda mais relevante. O presente estudo tem como objetivo discutir a abordagem bioética em um caso real de morte encefálica materna por suicídio, avaliando os princípios bioéticos envolvidos na decisão de manter o suporte vital. Trata-se de um estudo descritivo qualitativo, com busca nas bases Scientific Eletronic Library (Scielo), Pubmed e Google Scholar, utilizando-se os descritores “bioethics” and ‘pregnancy” and “brain death”, “brain death” and “pregnancy”. O caso examinado ilustra o dilema enfrentado pela equipe médica e pela família, no qual a manutenção do suporte vital foi justificada pela viabilidade do feto. Entretanto, emergem questionamentos, especialmente em contextos culturais que valorizam diferentes perspectivas sobre a morte e a doação de órgãos. A comparação entre as visões ocidental e oriental é abordada, evidenciando que decisões médicas se mostram diretamente influenciadas pela cultura local. Conclui-se que a discussão acerca da distanásia e a necessidade de diretrizes específicas para o manejo de gestantes em morte encefálica devem ser enfatizadas. Importante ressaltar que a abordagem multidisciplinar é essencial para garantir decisões que respeitem a dignidade e o bem-estar tanto da mãe quanto do feto. Torna-se necessário que a formação dos profissionais de saúde possa envolver a discussão dos aspectos éticos relacionados ao prolongamento artificial da vida, de modo a considerar questões culturais e os direitos da gestante nas suas práticas clínicas. Portanto, há urgência de um debate mais aprofundado sobre o tema desde a graduação, orientando futuras práticas clínicas e políticas de saúde pública.
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