Queixas auditivas e não auditivas associadas à audiometria em cabelereiros expostos a ruído em salões de beleza
DOI:
https://doi.org/10.61411/rsc202599018Palavras-chave:
Audição, Ruído Ocupacional, Centros de Embelezamento e Estética, Barbearia.Resumo
Cabeleireiros utilizam secadores de cabelo em suas atividades laborais, eletrodoméstico ruidoso em seu funcionamento. Por este motivo, é necessário o estudo da audição destes profissionais. O trabalho teve como objetivo, descrever as queixas auditivas e não auditivas de cabeleireiros que utilizam o secador de cabelo, além de avaliar a audição destes profissionais. A metodologia utilizada trata-se de um estudo transversal realizado com 47 cabelereiros voluntários. Eles responderam questionários que abordaram dados pessoais, laborais, queixas auditivas e não auditivas, elaborados com base na literatura. Aqueles que tinham pelo menos uma queixa auditiva, foram encaminhados para avaliação auditiva composta por audiometria convencional e de altas frequências e responderam ao questionário Hearing Handicap for Inventory Adults. Quando tinham queixa de zumbido, responderam o Tinnitus Handicap Inventory. Os dados coletados foram analisados com o pacote estatístico SPSS. Como resultados observou-se que a queixa auditiva e não auditiva mais frequente foi zumbido e cansaço, respectivamente. Além disso, 74,5% dos profissionais têm pelo menos uma queixa auditiva. Na audiometria, evidenciou-se aumento do limiar em 6 kHz e em frequências acima de 14 kHz. Por fim, evidencia-se número considerável de queixas auditivas e não-auditivas compatíveis com o ruído do secador de cabelo. É necessário conscientizar esses trabalhadores sobre a importância da adoção de medidas preventivas de danos à audição, sobre os efeitos do ruído do secador de cabelos e outros hábitos auditivos, devido à tendência evidenciada de limiares aumentados em altas frequências.
Referências
Brasil. Lei nº 12592, de 18 de janeiro de 2012. Dispõe sobre o exercício das atividades profissionais de cabeleireiro, barbeiro, esteticista, manicure, pedicure, depilador e maquiador. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 jan. 2012.
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT (BR). Guia de implementação Normas Técnicas de Salão de Beleza. Rio de Janeiro: Sebrae; 2016.
Mussi, G. Prevalência de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT) em profissionais Cabeleireiras de Institutos de Beleza de dois distritos da cidade de São Paulo [Dissertação de doutorado]. São Paulo: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, 2005. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2317-2770.v10i1-2p54-55
Senthong, P.; Wittayasilp, S. Condições de trabalho e avaliação de risco à saúde em salões de beleza. Environ Health Insights, v. 15, 2021. DOI: https://doi.org/10.1177/11786302211026772
Nunes, C. P.; Abreu, T. R. M.; Oliveira, V. C.; Abreu, R. M. Sintomas auditivos e não auditivos em trabalhadores expostos ao ruído. Rev Baiana Saúde Pública, v. 35, n. 3, p. 548-555, 2011. DOI: https://doi.org/10.22278/2318-2660.2011.v35.n3.a273
Bressane, A.; Mochizuki, P. S.; Caram, R. M.; Roveda, J. A. F. Sistema de apoio à avaliação de impactos da poluição sonora sobre a saúde pública. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 5, 2016. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311X00021215
Silva, C.; Silva, C.; Almeida, J. Estudo do deslocamento temporário em cabeleireiros. Rev. Cienc. Salud Med., v. 3, n. 2, p. 54-65, 2017.
Nudelmann, A. A.; Costa, E. A.; Seligman, J.; Ibãnez, R. N. PAIR: Perda auditiva induzida pelo ruído. 1ª Edição. Porto Alegre: Bagaggem Comunicação; 1997.
Ministério da Saúde (BR). Perda auditiva induzida por ruído (PAIR). Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2006.
Klagenberg, K. F.; Oliva, F. C.; Gonçalves, C. G. O; Lacerda, A., Garofani, V. G.; Zeigelboim, B. S. Audiometria de altas frequências no diagnóstico complementar em audiologia: uma revisão da literatura nacional. Rev Soc Bras Fonoaudiol., v. 16, n. 1, p. 109-114, 2011. DOI: https://doi.org/10.1590/S1516-80342011000100020
Seligman, J. Efeitos não auditivos e aspectos psicossociais no indivíduo submetido a ruído intenso. Rev Bras Otorrinolaringol., v. 59, n. 9, p. 257-259, 1993.
Conselho Nacional de Meio Ambiente (Brasil). Resolução nº 20, de 7 de setembro de 1994. Dispõe sobre a instituição do Selo Ruído de uso obrigatório para aparelhos eletrodomésticos que geram ruído no seu funcionamento. Diário Oficial da União 30 dez 2004; Seção 1.
Ministério do Meio Ambiente (Brasil). Instrução Normativa nº 03, de 7 de fevereiro de 2000. Diário Oficial da União 9 fev 2000; Seção 1.
Ministério do Meio Ambiente (Brasil). Instrução Normativa MMA nº 05, de 4 de agosto de 2000. Diário Oficial da União 6 ago 2000; Seção 1.
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Brasil). Instrução Normativa Ibama nº 15, de 18 de fevereiro de 2004. Diário Oficial da União 19 fev 2004; Seção 1.
Lopes, A. S.; Aurélio, N. H. S.; Santos, S. N.; Petry, T.; Costa, M. Análise de resultado a partir de testes de sentenças e questionário de auto-avaliação. Rev. CEFAC, v. 13, n. 1, p. 65-74, 2011. DOI: https://doi.org/10.1590/S1516-18462011005000008
Souza, V. C. S.; Lemos, S. M. A. Instrumentos para a avaliação da restrição à participação auditiva: revisão sistemática de literatura. CoDAS, v. 27, n. 4, p. 400-406, 2015.
Ferreira, P. É. A.; Cunha, F.; Onishi, E. T.; Branco-Barreiro, F. C. A.; Ganança, F. F. Tinnitus Handicap Inventory: adaptação cultural para o português brasileiro. Pró-Fono Rev. de Atualização Científica, v. 17, n. 3, p. 303-310, 2005. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-56872005000300004
Dias, A.; Cordeiro, R.; Corrente, J. E. Incômodo causado pelo zumbido medido pelo Questionário de Gravidade do Zumbido. Rev Saúde Pública, v. 40, n. 4, p. 706-711, 2006. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-89102006000500022
Silva, A. F.; Silveira, C A.; Robazzi, M. L. C. C. Condições de saúde, trabalho e qualidade de vida de trabalhadores de serviços de embelezamento e de terapias complementares e estéticas. Rev de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online, v. 10, n. 2, p. 465-473, 2018. DOI: https://doi.org/10.9789/2175-5361.2018.v10i2.465-473
Junior, P. F. F. A redução da jornada de trabalho e seus benefícios. Revista Eletrônica do CEMOP, n. 2, set. 2012.
Tinoco, H. C.; Lima, Gilson B. A.; Sant'Anna, A. P.; Gomes, C. F. S.; Santos, J. A. N. Percepção de risco no uso do equipamento de proteção individual contra a perda auditiva induzida por ruído. Gest Prod, v. 26, n. 1, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/0104-530x1611-19
Assunção, A. A.; Abreu, M. N. S.; Souza, P. S. N. Prevalência de exposição a ruído ocupacional em trabalhadores brasileiros: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde, 2013. Cad Saúde Pública, v. 35, n. 10, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311x00094218
Garbaccio, J. L.; Oliveira, A. C. Biossegurança em salões de beleza: avaliação da estrutura e dispositivos. Rev de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro, v. 1833, n. 8, p. 1-12, 2018. DOI: https://doi.org/10.19175/recom.v8i0.1833
Fernandes, M.; Morata, T. C. Estudo dos efeitos auditivos e extra-auditivos da exposição ocupacional a ruído e vibração. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, v. 68, n. 5, p. 705-713, set./out. 2002. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-72992002000500017
Todlo, A.; Miranda, A.; Fernandez, C. V.; Taamy, C. I.; Kakiuchi, E. H.; Rossi, M. Ruídos industriais, perturbações auditivas e sua profilaxia. Rev Bras Saúde Ocupacional, v. 9, n. 36, p. 77-80, out. 1981.
Fiorini, A. C.; Silva, S. A.; Bevilacqua, M. C. Ruído, comunicação e outras alterações. SOS Saúde Ocupacional, Segur., v. 26, p. 49-60, 1991.
Ganime, J. F.; Almeida, L. S.; Robazzi, M. L. C. C.; Valenzuela, S. S.; Faleiro, S.A. O ruído como um dos riscos ocupacionais: uma revisão de literatura. Enferm Global, v. 9, n. 2, p. 1-15, jun. 2010.
Cox, T.; Griffiths, A.; Rial-González, E. Investigação sobre o estresse relacionado ao trabalho. Oficina de Publicaciones Oficiales de las Comunidades Europeas, 2005.
Dejours, C. Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações. In: CHALAT, J. O indivíduo na organização: dimensões esquecidas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996. p. 149-173.
Schio, R. Caracterização toxicológica de produtos domésticos que geram resíduos sólidos perigosos e sua destinação no município de Campo Grande MS [Dissertação de Mestrado]. Campo Grande: Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, 2001.
Uter, W.; Johansen, J. D.; Havmose, M. S.; Kezic, S.; Van Der Molen, H. F.; Macan, J.; Babić, Ž.; Turk, R.; Symanzik, C.; John, S. M. Protocolo para uma revisão sistemática sobre a toxicidade sistêmica e cutânea de importantes ingredientes cosméticos perigosos para cabelos e unhas em cabeleireiros. BMJ Open, v. 11, n. 12, 2021. DOI: https://doi.org/10.1136/bmjopen-2021-050612
Ogido, R.; Costa, E. A. D.; Machado, H. D. C. Prevalência de sintomas auditivos e vestibulares em trabalhadores expostos a ruído ocupacional. Revista de Saúde Pública, v. 43, n. 2, p. 377-380, abr. 2009. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-89102009000200021
Peñaloza-lópez, Y. R.; Loera-gonzález, M. Á.; García-pedroza, F.; Poblano, A. Perda auditiva oculta, sinaptopatia coclear e ruído ocupacional. Med Segur Trab., v. 69, n. 271, p. 100-107, 2023. DOI: https://doi.org/10.4321/s0465-546x2023000200004
Dias, A.; Cordeiro, R.; Corrente, J. E.; Gonçalves, C. G. D. O. Associação entre perda auditiva induzida pelo ruído e zumbidos. Cadernos de Saúde Pública, v. 22, n. 1, p. 63-68, jan. 2006. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2006000100007
Weber, S. R.; Périco, E. Zumbido no trabalhador exposto ao ruído. Rev da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, v. 16, n. 4, p. 459-465, 2011. DOI: https://doi.org/10.1590/S1516-80342011000400016
Ottoni, A. O. C.; Barbosa-branco, A.; Boger, E. M.; Garavelli, S. L. Study of the noise spectrum on high frequency thresholds in workers exposed to noise. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, v. 78, n. 4, p. 108-114, jun.-ago. 2012.
Opptiz, S. J.; Silva, L. C. L.; Garcia, M. V.; Silveira, A. F. Limiares de audibilidade de altas frequências em indivíduos adultos normo-ouvintes. CoDAS, v. 30, n. 4, p. 1-7, jul. 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/2317-1782/20182017165
Sahyeb, D. R.; Costa Filho, O. A.; Alvarenga, K. F. Audiometria de alta frequência: estudo com indivíduos audiologicamente normais. Rev Bras Otorrinolaringol., v. 69, n. 1, p. 93-99, jan. 2003. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-72992003000100015
Silva, I. M. C.; Feitosa, M. A. G. Audiometria de alta frequência em adultos jovens e mais velhos quando a audiometria convencional é normal. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, v. 72, n. 5, p. 665-672, set.-out. 2006. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-72992006000500014
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Revista Sociedade Científica

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.










