Avaliação do perfil glicêmico em pacientes críticos internados em hospital público de Rondônia

Uma investigação conduzida no Hospital Regional de Cacoal (Rondônia) aponta que não apenas níveis elevados de glicose, mas sobretudo a instabilidade — isto é, grandes oscilações glicêmicas — estão associadas a pior prognóstico em pacientes internados em unidade de terapia intensiva.
Resumo do trabalhoO estudo, publicado na Revista Sociedade Científica, avaliou o perfil glicêmico de pacientes críticos internados em uma UTI de hospital público em Rondônia. Foram analisadas aferições de glicemia capilar ao longo do período de internação, com atenção às categorias hipoglicemia, hiperglicemia e à variabilidade glicêmica (avaliada pelo coeficiente de variação — CV). Os autores observaram associação entre hiperglicemia, CV elevado (definido no trabalho) e maior taxa de mortalidade hospitalar.
Metodologia em poucas palavrasTrata-se de estudo observacional retrospectivo, com coletas de dados obtidas no prontuário e em registros de glicemia capilar. As medidas incluíram médias glicêmicas, episódios de hipoglicemia (≤70 mg/dL) e episódios de hiperglicemia (>180 mg/dL), além do cálculo da variabilidade por CV. As limitações metodológicas — como a natureza retrospectiva e a realização em um único centro — são apresentadas pelos autores e consideradas na interpretação dos achados.
Principais achadosEntre os resultados destacam-se associação entre hiperglicemia e maior risco de óbito hospitalar, bem como entre CV elevado e mortalidade. Os autores sublinham que estes sinais apareceram mesmo entre pacientes sem diagnóstico prévio de diabetes mellitus, indicando que a resposta glicêmica ao estresse da doença crítica tem papel prognóstico relevante.
“Hiperglicemia e alta variabilidade glicêmica estiveram associadas a maior risco de mortalidade hospitalar, mesmo na ausência de diagnóstico prévio de diabetes mellitus.” — (trecho do artigo).
Por que isso importa agora?Em UTI, a gestão glicêmica é uma das estratégias que influenciam desfechos. Estudos internacionais já apontaram que tanto hiperglicemia sustentada quanto hipoglicemia iatrogênica podem aumentar morbimortalidade. A novidade aqui é a ênfase na variabilidade: oscilações abruptas parecem carregar risco adicional, o que reforça que protocolos devem mirar estabilidade metabólica, não apenas metas pontuais.
Implicações práticasPara equipes clínicas, o trabalho sugere: 1) monitorização glicêmica adequada (frequência e registro); 2) atenção à variabilidade ao planejar insulinoterapia e nutrição; 3) protocolos individualizados considerando risco de hipoglicemia. Os autores não propõem mudanças definitivas de rotina, mas indicam que a variabilidade glicêmica merece inclusão em avaliações prognósticas e decisões terapêuticas.
Limitações que pesam na leituraComo estudo retrospectivo e unicêntrico, os achados não estabelecem causalidade. A frequência de aferições pode influenciar o cálculo da variabilidade, e coletas não padronizadas podem gerar viés. Ainda assim, as associações observadas são consistentes com evidências anteriores e justificam investigação prospectiva e multicêntrica.
Destaques das considerações finais
- Variabilidade glicêmica aparente como marcador prognóstico relevante em UTI.
- Hiperglicemia de estresse afeta também pacientes sem diagnóstico de diabetes.
- Recomendação a políticas de monitoramento e protocolos individualizados.
Autores:
- Rodrigo Alesi Barros Calacio — Hospital Regional de Cacoal, Cacoal (RO).
- Patricia de Souza Chagas — Hospital Regional de Cacoal, Cacoal (RO).
- Emanuelle Negreiros Nogueira — Hospital Regional de Cacoal, Cacoal (RO).
- Jaqueline Magalhães Alves Ensslin — Hospital Regional de Cacoal, Cacoal (RO).
Revista: Revista Sociedade Científica
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