Metodologias Ativas Transformam a Formação em Saúde no Brasil

2025-10-16

Professora conduz aula com estudantes de saúde utilizando metodologias ativas em sala de aula universitária iluminada e colaborativa.

Pesquisa analisa práticas educacionais inovadoras na formação de profissionais de saúde

Um estudo publicado na Revista Sociedade Científica revela que as metodologias ativas estão ganhando espaço na educação profissional em saúde no Brasil, com destaque para a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) como a abordagem mais utilizada por instituições de ensino superior. A pesquisa, desenvolvida por especialistas em educação em saúde, analisou 13 artigos científicos publicados entre 2018 e 2023.

As metodologias ativas representam uma mudança significativa no paradigma educacional, substituindo o modelo tradicional de “educação bancária” – termo cunhado por Paulo Freire – por abordagens que colocam o estudante como protagonista do processo de aprendizagem. Esta transição começou a ganhar força nas décadas de 1970 e 1980, influenciada pelas ideias freireanas sobre autonomia no processo educativo.

Contexto Histórico e Importância da Pesquisa

Durante décadas, a formação em saúde no Brasil seguiu o modelo Flexneriano, com ênfase em aspectos biológicos e fragmentação do conhecimento. Este modelo, segundo os pesquisadores, fortalecia a dicotomia entre teoria e prática e desconsiderava as demandas do Sistema Único de Saúde (SUS). A criação da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) em 2003 representou um marco histórico, estabelecendo a educação em saúde como política de Estado.

De acordo com os autores do estudo, “as Metodologias Ativas possuem em sua intencionalidade contribuir com o suprimento de possíveis lacunas no ensino, tendo como objetivo buscar formar profissionais críticos, que consigam associar a teoria com a prática, considerando o contexto social em que o indivíduo está inserido”.

Principais Descobertas da Pesquisa

A revisão sistemática identificou que a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) é a metodologia ativa mais prevalente na educação em saúde no Brasil. Outras abordagens significativas incluem o uso de portfólios reflexivos e jogos lúdicos como ferramentas educacionais.

Um achado importante do estudo é que a maioria das pesquisas analisadas focou em estudantes de graduação, com apenas dois estudos investigando os efeitos das metodologias ativas em profissionais preceptores e Agentes Comunitários de Saúde. Esta lacuna aponta para a necessidade de mais pesquisas sobre a aplicação dessas metodologias em contextos profissionais já estabelecidos.

Os pesquisadores observaram que “com a crescente inserção das Metodologias Ativas como recurso pedagógico, faça-se importante a realização de novos estudos sobre o tema, abrindo outras possibilidades para alavancar a construção de conhecimento e a melhoria dos serviços oferecidos”.

Casos de Sucesso e Aplicações Práticas

O estudo cita diversas experiências bem-sucedidas com metodologias ativas:

  • O Projeto FELLOWS, desenvolvido com estudantes de medicina, que utilizou aprendizagem colaborativa, ABP, avaliação entre pares e mapas conceituais
  • Experiências com preceptores que participaram de cursos de formação específicos, demonstrando maior diversidade no uso de estratégias ativas
  • Aplicação de metodologias ativas em cursos técnicos para Agentes Comunitários de Saúde, valorizando suas experiências de vida e trabalho
  • Uso de tecnologias educacionais na monitoria acadêmica de enfermagem, desenvolvendo liderança e pensamento crítico
Desafios e Perspectivas Futuras

Apesar dos avanços, os pesquisadores identificam desafios significativos na implementação das metodologias ativas. Entre eles, a falta de parceria entre instituições formadoras, gestores municipais e sistema de saúde, além da necessidade de desenvolvimento docente permanente para a construção de uma “nova” sala de aula.

Outro desafio destacado no contexto atual é a desigualdade social, que limita o acesso à internet e plataformas virtuais de ensino, afetando especialmente a implementação de metodologias ativas no ensino remoto.

Considerações Finais e Impacto na Educação em Saúde

Os pesquisadores concluem que, embora as metodologias ativas representem um avanço significativo na educação em saúde, sua adoção ainda é limitada a algumas disciplinas e docentes. A ABP se consolidou como a abordagem mais utilizada, seguida por portfólios e jogos lúdicos.

O estudo enfatiza a importância de continuar investindo na formação de profissionais de saúde mais reflexivos e críticos, capazes de integrar teoria e prática em diferentes contextos do SUS. A pesquisa reforça que as metodologias ativas não são um mero conjunto de ferramentas, mas sim uma abordagem pedagógica que exige planejamento baseado em objetivos bem delimitados e consideração das características dos educandos envolvidos.

Autores da Pesquisa

O estudo foi desenvolvido por:

  • Ezucleide Carvalho Camara de Oliveira – Fisioterapeuta Hospital Regional de Cacoal – Cacoal-RO, Brasil
  • Nadia Maria Silva Montelo – Mestranda em Educação Profissional em Saúde, Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio / Fundação Oswaldo Cruz – Rio de Janeiro-RJ, Brasil
  • Silvia Ataides Alves Santana – Mestranda em Ciências do Movimento Humano, Universidade Federal do Amazonas (UFAM) – Manaus-AM, Brasil
  • Tiana da Silva Paiva – Fisioterapeuta Hospital Regional de Cacoal – Cacoal-RO, Brasil
  • Deison Fernando Frederico – Psicólogo; Especialista em Saúde da Família e Comunidade; Especialista em Terapia Comunitária Integrativa; Mestre em Saúde Coletiva
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Acesso ao Estudo Original

O artigo completo “O USO DE METODOLOGIAS ATIVAS NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM SAÚDE: UMA REVISÃO DE LITERATURA” está disponível para acesso em: https://show.scientificsociety.net/2023/10/o-uso-de-metodologias-ativas-na-educacao-profissional-em-saude-uma-revisao-de-literatura/

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