Cuidados Paliativos em Oncologia: Estudo Evidencia Melhora na Qualidade de Vida e Defende Política Nacional no Brasil

2025-10-31

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Um estudo publicado na Revista Sociedade Científica reforça a importância da integração precoce dos Cuidados Paliativos (CP) no tratamento de pacientes oncológicos, apontando para benefícios como melhor controle de sintomas, redução de hospitalizações desnecessárias e uma experiência de final de vida mais digna. A pesquisa, conduzida por especialistas brasileiras, também expõe as barreiras que impedem o acesso universal a esse tipo de cuidado no país.

A pesquisa, intitulada “Pacientes Oncológicos em Cuidados Paliativos“, foi desenvolvida por Fraslene Ribeiro da CruzMaria Sandy Rocha e Danielle Machado Oliveira, todas vinculadas à Uninassau Brasília – Grupo Ser. O artigo de revisão integrativa, que sintetiza evidências científicas recentes, foi publicado no Volume 8, Número 1 (2025) da revista.

Para Além da Cura: O Cuidado como Prioridade

O estudo parte do princípio de que, quando a cura não é mais possível, o foco do tratamento deve se deslocar para a promoção ativa do conforto e da qualidade de vida. Os Cuidados Paliativos são definidos como uma abordagem multiprofissional que visa aliviar o sofrimento em suas múltiplas dimensões: física, psicológica, social e espiritual.

De acordo com as autoras, “a terminalidade não é um fracasso terapêutico, mas uma etapa natural da condição humana, cuja condução ética requer sensibilidade, escuta ativa e ações interdisciplinares”. A pesquisa cita o trabalho seminal de Cicely Saunders, pioneira no campo, que defendia que “não é o número de dias que importa, mas a qualidade dos momentos vividos”.

Evidências e Benefícios da Abordagem Precoce

O artigo destaca fortes evidências, como o estudo de Temel et al. (2010), que demonstrou que pacientes com câncer de pulmão avançado submetidos a CP precoces tiveram não apenas uma melhor qualidade de vida, mas também uma sobrevida maior em comparação com aqueles que receberam apenas o tratamento oncológico convencional.

Entre os benefícios documentados estão:

  • Controle mais eficaz de sintomas como dor, falta de ar e náuseas.
  • Redução de internações hospitalares consideradas fúteis ou desproporcionais.
  • Diminuição de sintomas de ansiedade e depressão.
  • Fortalecimento da autonomia do paciente nas decisões sobre seu tratamento.
  • Suporte psicossocial e espiritual para o paciente e sua família.
Desafios no Cenário Brasileiro

Apesar dos benefícios comprovados, a pesquisa aponta que a implementação dos Cuidados Paliativos no Brasil ainda esbarra em obstáculos significativos. A Associação Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) estima que apenas 10% dos brasileiros que necessitam desses cuidados têm acesso efetivo a eles.

As principais barreiras identificadas são:

  • Estruturais: Escassez de serviços especializados integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
  • Formativas: Falta de capacitação adequada dos profissionais de saúde na área de paliativismo.
  • Culturais: Estigma que associa os CP à “desistência” ou ao “abandono” do paciente, levando a uma aceitação tardia.
  • Políticas Públicas: Ausência de uma política nacional robusta e com financiamento adequado.

Conforme citado no trabalho, o Brasil é classificado pela Worldwide Hospice Palliative Care Alliance (WHPCA) no nível 3 de 4 (provisão isolada), indicando uma integração ainda incipiente no sistema de saúde.

Considerações Finais e um Chamado à Ação

O estudo conclui que os Cuidados Paliativos devem ser reconhecidos como uma diretriz nacional de saúde, garantindo equidade, integralidade e respeito à dignidade humana até o último momento da vida. As autoras defendem a institucionalização dessa prática nos níveis primário, secundário e terciário de atenção.

Em suas considerações finais, a pesquisa ressalta que “cuidar de um paciente oncológico em fase terminal não é desistir da vida, mas reafirmá-la em sua inteireza”. A comunicação empática, a atuação da equipe multiprofissional e a inclusão ativa da família são apontadas como pilares essenciais para um cuidado paliativo eficaz e humanizado.

Autores do Estudo:

  • Fraslene Ribeiro da Cruz – Uninassau Brasília – Grupo Ser
  • Maria Sandy Rocha – Uninassau Brasília – Grupo Ser
  • Danielle Machado Oliveira – Uninassau Brasília – Grupo Ser

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Nota da Redação:

O artigo original “Pacientes oncológicos em cuidados paliativos” está disponível para leitura completa e download gratuito através do seguinte link: https://show.scientificsociety.net/2025/10/pacientes-oncologicos-em-cuidados-paliativos/.

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