Treinamento Resistido Mostra Benefícios Significativos na Reabilitação de Pacientes com Parkinson, Revela Estudo Brasileiro

2025-09-19

Homem realizando treinamento resistido com halter durante reabilitação da doença de Parkinson, expressando satisfação com o exercício.

Um estudo recente publicado na Revista Sociedade Científica demonstra que o treinamento resistido (TR) é uma estratégia eficaz e segura para a reabilitação de pessoas com doença de Parkinson (DP). A pesquisa, conduzida por cientistas de instituições brasileiras, sintetizou evidências de nove estudos clínicos publicados entre 2019 e 2025, mostrando melhoras significativas na força muscular, equilíbrio, mobilidade funcional e qualidade de vida dos pacientes.

A Doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais prevalente no mundo, afetando aproximadamente 1% da população acima de 60 anos. Caracterizada por sintomas motores como tremores, rigidez muscular, bradicinesia (lentidão de movimentos) e instabilidade postural, a DP também apresenta sintomas não motores que impactam significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

De acordo com a revisão sistemática liderada por pesquisadores da Universidade Federal do Pará e outras instituições paraenses, o treinamento resistido – quando estruturado de forma segura e progressiva – mostrou-se benéfico em múltiplos aspectos da reabilitação parkinsoniana. Os resultados foram publicados no volume 8, número 1 de 2025 da Revista Sociedade Científica, periódico especializado em divulgação científica.

Pesquisa Abrangente com Metodologia Rigorosa

A equipe de pesquisadores realizou uma revisão sistemática seguindo o protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), analisando estudos das bases de dados PubMedScielo e LILACS. Após triagem rigorosa que incluiu inicialmente 104 registros, nove estudos preencheram todos os critérios de inclusão e foram selecionados para análise detalhada.

Os estudos analisados investigaram diferentes protocolos de treinamento resistido, variando em intensidade, volume e duração. Apesar desta heterogeneidade, a maioria demonstrou resultados consistentes e positivos na melhora dos sintomas motores e na qualidade de vida das pessoas com Parkinson submetidas às intervenções.

Benefícios Múltiplos do Treinamento Resistido

Os resultados da revisão indicam que o TR promove ganhos significativos em diferentes domínios funcionais. Sete dos nove estudos analisados relataram resultados positivos, enquanto apenas dois apresentaram resultados inconclusivos ou pouco satisfatórios.

Entre os benefícios documentados estão:

  • Aumento da força muscular: Protocolos de alta intensidade (até 90% de 1RM) demonstraram ganhos relevantes em apenas quatro semanas de intervenção
  • Melhora do equilíbrio e controle postural: Ambos os treinos com aparelhos e pesos livres mostraram benefícios significativos
  • Melhora da mobilidade funcional: Avaliada pelo teste Timed Up and Go (TUG), com ganhos clinicamente relevantes
  • Redução de sintomas específicos: Como o congelamento da marcha, particularmente em protocolos que incluíram exercícios funcionais
  • Melhora da qualidade de vida: Avaliada pelo questionário PDQ-39, com melhoras em múltiplos domínios
  • Benefícios não motores: Incluindo melhoras no humor, sono e funções cognitivas
Estudos Destacados na Revisão

A pesquisa de Chen e Chen (2025) comparou exercícios aeróbios isolados com a combinação de exercícios aeróbios e resistidos durante um ano de acompanhamento. Os pacientes do grupo de exercícios combinados apresentaram melhoras expressivas em sintomas motores, equilíbrio, velocidade de processamento cognitivo e qualidade de vida.

Outro estudo relevante, conduzido por Silva-Batista et al. (2020), demonstrou que o treinamento resistido com instabilidade foi superior ao treinamento motor tradicional na redução da gravidade do congelamento de marcha, na melhoria da inibição cognitiva e no aumento da amplitude dos ajustes posturais antecipatórios.

A pesquisa de Helgerud et al. (2020) mostrou que um protocolo de treinamento de força máxima (90% de 1RM) aplicado por oito semanas, duas vezes por semana, resultou em aumento significativo da força, geração de força, condução neural, desempenho funcional e saúde percebida em pacientes com Parkinson.

Tecnologias inovadoras também foram avaliadas. O estudo de Bane et al. (2024) investigou o uso da restrição de fluxo sanguíneo (Blood Flow Restriction – BFR) combinado com TR de baixa intensidade, encontrando melhorias na circulação sanguínea periférica, variabilidade da frequência cardíaca e redução de fatores de risco cardiovasculares.

Aplicação Prática e Segurança

Um aspecto importante destacado pela revisão é a segurança e aplicabilidade dos protocolos de TR para pessoas com Parkinson. O estudo de Abreu e Carneiro (2024) mostrou que mesmo um programa de baixo volume (oito semanas, duas séries de dez repetições) produziu ganhos significativos na força de membros superiores e inferiores, na mobilidade funcional e em múltiplos domínios da qualidade de vida.

Os pesquisadores ressaltam que o treinamento resistido configura uma estratégia segura quando adequadamente supervisionada, podendo ser implementada em diferentes estágios da doença, embora a maioria dos estudos tenha focado em estágios iniciais e moderados.

Considerações Finais e Perspectivas Futuras

Os autores concluem que o treinamento resistido consolida-se como uma importante ferramenta terapêutica complementar no manejo da doença de Parkinson, capaz de promover melhorias físicas e psicossociais relevantes. Eles recomendam que futuras pesquisas explorem protocolos individualizados, com diferentes intensidades e focos, além de avaliar o impacto a longo prazo dessas intervenções.

A heterogeneidade entre os protocolos dos estudos analisados – com variações em volume, intensidade e duração – dificulta a comparação direta, mas também enriquece o leque de possibilidades intervenções que podem ser adaptadas às necessidades específicas de cada paciente.

Autores e Instituições Envolvidas

A pesquisa foi desenvolvida por um time multidisciplinar de pesquisadores brasileiros:

  • Isluanne Susan Monteiro Carneiro – Universidade Federal do Pará, Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano, Grupo Parkinson – Pesquisa e Cuidado
  • Esther Ribeiro da Silva – Universidade da Amazônia, Centro Universitário do Pará, Grupo Parkinson – Pesquisa e Cuidado
  • Deborah Vanessa Costa – Universidade do Estado do Pará, Centro Universitário do Pará
  • João Vitor Freire Pinto – Universidade da Amazônia, Centro Universitário do Pará
  • Annállya Noêmia Leal Mendonça – Universidade da Amazônia, Centro Universitário Leonardo da Vinci, Grupo Parkinson – Pesquisa e Cuidado
  • Lane Viana Krejcova – Universidade Federal do Pará, Programa de Pós-Graduação em Neurociências e Comportamento, Grupo Parkinson de Pesquisa e Extensão
Publicação na Revista Sociedade Científica

O estudo foi publicado na Revista Sociedade Científica, um periódico científico de acesso aberto que promove a divulgação de pesquisas originais em diversas áreas do conhecimento. A revista está comprometida com o avanço científico e a disseminação do conhecimento para a comunidade acadêmica e sociedade em geral.

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Para acessar o estudo completo:
Efeitos do treinamento resistido na reabilitação de pessoas com doença de Parkinson: uma revisão sistemática

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