No coração do território: desafios do cuidado na Atenção Primária à Saúde em populações rurais
DOI:
https://doi.org/10.61411/rsc2025122018Palavras-chave:
População Rural; Saúde do Campo; Atenção Primária à Saúde; Medicina de Família e Comunidade; Equidade; Políticas Públicas.Resumo
As populações rurais, do campo e da floresta possuem modos de vida profundamente vinculados ao território, ao trabalho agrícola e às dinâmicas socioculturais locais, o que influencia diretamente seus perfis de adoecimento e suas necessidades de cuidado. Este artigo discute os principais desafios e potencialidades da atenção à saúde em áreas rurais, com ênfase no papel da Medicina de Família e Comunidade na promoção da equidade. Trata-se de uma revisão narrativa de literatura baseada em documentos oficiais, artigos científicos e diretrizes nacionais, como a Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (PNSIPCF). Os achados apontam que indicadores como mortalidade infantil, menor esperança de vida e maior prevalência de agravos relacionados ao trabalho, intoxicações por agrotóxicos e doenças infecciosas são mais frequentes em regiões rurais. Além disso, fatores estruturais, como longas distâncias, precariedade de transporte, oferta insuficiente de serviços e déficit de profissionais, ampliam desigualdades históricas. Apesar disso, observa-se crescente valorização do cuidado generalista e iniciativas de interiorização, que fortalecem o vínculo comunitário e favorecem modelos de atenção mais integrais. Conclui-se que qualificar o cuidado rural exige reconhecer as especificidades territoriais, ampliar a formação em saúde rural e investir em estratégias de fixação de profissionais, contribuindo para um Sistema Único de Saúde mais justo para quem vive nos rincões do Brasil.
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