Paralisia temporária do nervo facial após fratura condilar contralateral: relato de caso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.61411/rsc2026129319

Palavras-chave:

Paralisia Facial, Fraturas Maxilomandibulares, Compressão Nervosa

Resumo

Fraturas condilares são frequentes entre as fraturas mandibulares. O deslocamento condilar geralmente ocorre na direção medial e anterior, mas ocasionalmente pode ocorrer na direção lateral, ou até mesmo superior na fossa craniana mediana, resultando em trauma neurológico secundário. No caso clínico presente um paciente do sexo masculino, 21 anos de idade, vítima de acidente automobilístico apresentou-se ao serviço de urgência e emergência com fraturas em côndilo mandibular direito e parassínfise esquerda, sendo submetido a cirurgia para redução e fixação interna estável das fraturas diagnosticadas 48h após o atendimento inicial. No acompanhamento de 07 dias pós-operatórios o paciente evoluiu com hemiplegia facial esquerda, quadro não instalado antes da alta hospitalar. À avaliação com otoscópio é evidente hemotímpano e em avaliação tomográfica pós-operatória observa-se imagem sugestiva de traço de fratura sem deslocamento em osso temporal à direita, contralateral à fratura condilar, com diagnóstico de fratura de osso temporal com formação de hematoma e neuropraxia secundária do nervo facial. Em exame de eletromiografia evidenciou função reduzida da função da musculatura da mímica facial direita. O paciente foi tratado com corticosteroides por quatro semanas, dexametasona 8 mg associada à prednisona 80 mg na primeira semana, 60 mg na segunda, 40 mg na terceira semana e 20 mg na quarta semana, apresentando recuperação completa da função do nervo facial após quatro meses. A lesão do nervo facial associada a fraturas mandibulares é um achado raro, e foi descrita na literatura científica principalmente quando ocorreu uma fratura do côndilo ipsilateral, o que torna os achados descritos nesse trabalho ainda mais incomuns na prática clínica do cirurgião bucomaxilofacial. Traumas faciais podem gerar fratura do osso temporal sem afetar o côndilo em si e, apesar da ausência de sinais clínicos na avaliação inicial e achados nos exames de imagem que, a princípio, indicam condução conservadora do quadro, a presença de microfraturas no osso temporal deve ser levada em consideração no prognóstico do paciente e elencar possíveis complicações, incluindo comprometimento neurológico, como apresentado. Este artigo tem como objetivo alimentar o acervo literário com um caso incomum de hemiplegia facial contralateral secundária a trauma, auxiliando o diagnóstico do cirurgião em situações atípicas e contribuindo com o seu arsenal de medidas terapêuticas.

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Publicado

2026-03-30

Edição

Seção

Ciências da Saúde

Categorias

Como Citar

SANTOS, Miguel Pereira da Mata; MARINHO, Beatriz D'Aquino; PEREIRA FILHO, Valfrido Antônio; MONNAZZI, Marcelo Silva. Paralisia temporária do nervo facial após fratura condilar contralateral: relato de caso. Revista Sociedade Científica, [S. l.], v. 9, n. 1, p. 675–687, 2026. DOI: 10.61411/rsc2026129319. Disponível em: https://journal.scientificsociety.net/index.php/sobre/article/view/1293.. Acesso em: 18 jul. 2026.