Fatores associados à letalidade por tuberculose respiratória na população pediátrica: análise multinível do SIH-DATASUS, 2008-2024
DOI:
https://doi.org/10.61411/rsc2026128519Palavras-chave:
Tuberculose, Pediatria, Taxa de LetalidadeResumo
A tuberculose respiratória na população pediátrica mantém elevada relevância epidemiológica no Brasil, especialmente na faixa etária menor que 5 anos de idade, caracterizando-se por dificuldades diagnósticas e influência de determinantes individuais e contextuais nos desfechos clínicos. Este estudo teve como objetivo analisar a letalidade hospitalar por tuberculose respiratória na população pediátrica no Brasil, investigando a influência de fatores individuais (como idade, sexo e características clínicas) e contextuais (regionais e estruturais da assistência), por meio de modelagem multinível com um método estatístico inovador, mais adequado ao perfil dos dados analisados, ainda não previamente utilizado na literatura brasileira com esse recorte populacional, a fim de compreender como diferentes níveis de determinação interagem na ocorrência do desfecho no período analisado. Trata-se de um estudo epidemiológico transversal, baseado em dados do SIH-DATASUS (2008–2024), incluindo internações por A15 da Classificação Internacional de Doenças em crianças de 0 a 14 anos no Brasil. Realizou-se análise descritiva e comparação do tempo de internação por teste t ou ANOVA (p<0,05). A letalidade hospitalar foi avaliada por modelo linear generalizado misto, com intercepto aleatório para unidade federativa, distribuição binomial e função logit, estimando-se o coeficiente de correlação intraclasse. Foram registradas 8.153 internações por tuberculose em crianças (média de 40 ao mês), com maior frequência na faixa de 0–4 anos, no sexo masculino e no período pré-pandêmico (2008–2012). Predominaram internações de urgência, de natureza clínica, principalmente por tuberculose pulmonar confirmada por baciloscopia, com desfecho majoritário de alta hospitalar. O tempo médio de internação foi de 10,9 dias no período pré-pandêmico, aumentando para 13,6 dias durante a pandemia e reduzindo para 12,4 dias no pós-pandemia (p<0,001). Houve diferença regional significativa, com maior média no Sudeste (14,4 dias) e menor no Sul (8,2 dias). Pacientes internados em UTI apresentaram maior tempo de permanência (14,9 vs. 10,9 dias; p<0,001). Quanto à letalidade, crianças de 0–4 anos apresentaram risco de óbito 101% maior em comparação às de 10–14 anos; o sexomasculino apresentou risco 24% menor que o feminino; e a necessidade de UTI associou-se a risco de óbito nove vezes maior. A tuberculose infantil mantém-se como importante desafio de saúde pública no Brasil, com maior vulnerabilidade nas faixas etárias mais jovens e persistência de limitações diagnósticas e assistenciais, influenciadas por determinantes sociais e impactos estruturais. A modelagem multinível demonstrou a contribuição concomitante de fatores individuais e contextuais nos desfechos hospitalares, ressaltando a necessidade de políticas públicas integradas e estratégias voltadas à redução das desigualdades regionais.
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