Excesso na prestação jurisdicional – análise dos limites do juiz na visão de Hans Kelsen e Michele Taruffo

Autores

  • Eduardo Afonso Muniz Botelho Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP Autor

DOI:

https://doi.org/10.61411/rsc2026140919

Palavras-chave:

Direito Processual Civil, Teoria Geral do Processo, Tutela jurisdicional, Função Jurisdicional, Excesso do Juiz, Hans Kelsen, Taruffo, Processo

Resumo

O presente artigo propõe uma análise comparativa entre duas concepções fundamentais sobre os limites da atuação judicial: a visão normativista de Hans Kelsen e a abordagem epistemológica de Michele Taruffo. A partir da noção de "excesso" do juiz, o estudo examina os critérios que definem a legitimidade da função jurisdicional sob perspectivas distintas, porém igualmente preocupadas com a contenção do arbítrio judicial. Inicialmente, o trabalho situa o exercício da função jurisdicional no Estado Democrático de Direito, recorrendo aos três arquétipos de juiz propostos por François Ost — Júpiter, Hércules e Hermes — como pano de fundo teórico para compreender a evolução do papel do magistrado. Em Kelsen, sustenta-se que o excesso se configura quando o juiz ultrapassa a moldura normativa traçada pelas normas superiores, exercendo uma função que corresponde ao legislador, e não ao aplicador do Direito. O juiz kelseniano opera dentro de um sistema escalonado de normas, realizando escolhas entre as possibilidades juridicamente admitidas, mas nunca além delas. Já em Taruffo, o excesso se manifesta quando o juiz rompe com os compromissos epistêmicos e procedimentais do processo, impondo decisões baseadas em convicções subjetivas, intuições ou manipulações probatórias, em detrimento das garantias do contraditório, da imparcialidade e da fundamentação racional. A verdade processual, para Taruffo, deve ser construída mediante critérios rigorosos de valoração da prova, e não substituída por crenças pessoais do julgador. O trabalho conclui que, enquanto Kelsen concebe a função jurisdicional como exercício estritamente formal, voltado à legalidade e à preservação da moldura normativa, Taruffo a entende como atividade cognitiva e argumentativa voltada à construção racional da verdade processual. Ambos os autores, contudo, convergem na recusa ao voluntarismo judicial e na defesa de mecanismos que preservem a legitimidade da jurisdição, ainda que por caminhos diversos: um, pelo controle da forma; outro, pelo controle do conteúdo e do método decisório.

Referências

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Publicado

2026-07-16

Como Citar

BOTELHO, Eduardo Afonso Muniz. Excesso na prestação jurisdicional – análise dos limites do juiz na visão de Hans Kelsen e Michele Taruffo. Revista Sociedade Científica, [S. l.], v. 9, n. 1, p. 1997–2015, 2026. DOI: 10.61411/rsc2026140919. Disponível em: https://journal.scientificsociety.net/index.php/sobre/article/view/1409.. Acesso em: 18 jul. 2026.